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EDIFICANDO SUA CONGREGAÇÃO

INTRODUÇÃO: A Bíblia usa diversas ilustrações para descrever a Igreja. Destacaremos a descriçãoda Igreja como família de Deus.
“Assim, já não sois estrangeiros e peregrinos, mas concidadãos dos santos..." (Ef. 2.19) “Assim também nós, conquanto muitos, somos um só corpo em Cristo e membros uns dos outros.” (Rm. 12.5)
Portanto, devemos ensinar que as pessoas precisam se comprometer não só com Cristo, mas também com sua família, a Igreja de Deus.
Uma Pergunta importante: como levar pessoas a um compromisso no Corpo de Cristo?

I. CRIE UM CLIMA ONDE AS PESSOAS QUEIRAM FAZER PARTE DA IGREJA.
As duas coisas que as pessoas mais querem na vida: AMOR (Jo. 13.35) e ACEITAÇÃO (Rm. 15.7).
“Se alguém diz: eu amo a Deus, e ao mesmo tempo odeia a seu irmão, é mentiroso; pois, se alguém não ama a seu irmão, a quem vê, tampouco pode amar a Deus, a quem não vê.” (1Jo. 4.20)

Igrejas que crescem, amam; e igrejas que amam, crescem!
Faça com que a sua igreja aja como uma FAMÍLIA, não como uma INSTITUIÇÃO!

COMO CRIAR UM AMBIENTE FAMILIAR NA IGREJA
• Demonstre preocupação e cuidado com seus membros
• Memorize o nome dos membros e os cumprimente pelo nome
• Toque os membros com um toque cristão - Rm. 16.16

II. COMUNIQUE O VALOR DE FAZER PARTE DA FAMÍLIA DE DEUS.
A medida do nosso compromisso torna-se a medida do nosso crescimento. E, quanto mais crescemos, mais amamos – o amor de Cristo pela Igreja (Ef. 5.25).

AS TRÊS PARTES NA VIDA CRISTÃ

1. CRER
“Crê no Senhor Jesus e serás salvo.” (At. 16.31)

2. PERTENCER
“Assim, já não sois estrangeiros e peregrinos, mas concidadãos dos santos, membros da família de Deus." (Ef. 2.19)

3. TORNAR-SE
"Porque os que dantes conheceu, também os predestinou para serem conforme a imagem do seu Filho." (Rm. 8.29)


OS BENEFÍCIOS DE FAZER PARTE DE UMA IGREJA
1. Identificação como um cristão genuíno (Ef. 2.19; Rm. 12.5)
2. Apoio de uma família espiritual (Gl. 6.1-2; Hb. 10.24-25)
3. Dá-me oportunidade para descobrir e desenvolver os meus dons espirituais em ministério (1Co. 12.4-27)
4. Proteção espiritual de líderes que temem a Deus (Hb. 13.17; At. 20.28-29)
5. Prestação de contas necessária para o meu crescimento (Ef. 5.21)

III. CRIE UM PLANO PARA RECEBER NOVOS MEMBROS NA IGREJA.
“Os planos mediante os conselhos têm bom êxito.” (Pv. 20.18)


PERGUNTAS QUE VOCÊ PRECISA FAZER:
1. O que é Deus espera dos membros dessa Igreja?
2. O que esperamos das pessoas em nossas igrejas agora?
3. Que tipo de pessoa faz parte de sua igreja no momento e quais são as suas necessidades, seus interesses?
4. Como podemos aumentar o valor da participação com a igreja?
5. Como podemos nos certificar que os membros sentem-se amados e bem cuidados e que suas necessidades sejam supridas?
6. Que tipo de culto podemos oferecer aos membros?
7. Como podemos adicionar valor ao que já oferecemos às pessoas em nossa igreja?


CINCO PERGUNTAS QUE PESSOAS FAZEM ANTES DE SE TORNAREM MEMBROS:
• Aceitação - Eu me encaixo aqui?
• Amizade - Alguém aqui quer me conhecer?
• Valor - Eles precisam de mim?
• Benefício - Qual é a vantagem de me tornar membro desta igreja?
• Expectativa - O que será requerido de mim?

IV. ESTABELECER UMA CLASSE PARA NOVOS MEMBROS.
A forma como as pessoas entram na igreja influenciará muito sua eficácia como cristãos nos anos seguintes. E a forma como eles se tornam membros irá determinar sua eficácia como membros em sua igreja.


V. CRIAR UMA ALIANÇA ENTRE OS MEMBROS. QUATRO REQUISITOS PARA OS MEMBROS
1. Dar sua vida a Jesus Cristo como Senhor e Salvador
2. Ser batizado(a) - Mt. 28.19
3. Completar a classe para novos membros
4. Assinar a aliança entre os membros de nossa igreja

VI. CRIE OPORTUNIDADES PARA DESENVOLVER RELACIONAMENTOS
• Forme grupos pequenos fazendo refeições juntos
• Crie eventos e atividades onde as pessoas possam se conhecer – Jo. 13.35

VII. FAÇA COM QUE OS MEMBROS SE SINTAM ESPECIAIS.
Edificando Sua Congregação - Purpose-DrivenMinistries© Rick Warren

 


ENSINAR: UMA TAREFA PASTORAL

A missão dada pelo Senhor Jesus à sua igreja foi bem clara e precisa: fazer discípulos batizando e ensinando. Isto nos mostra a natureza da missão. Na caminhada a igreja trabalha para levar pessoas a um compromisso com o Senhor da Igreja que se expressa pelo batismo e tem continuidade através do ensino. Este processo de ensino pode ocorrer de maneira formal e sistemática, mas também informal através dos relacionamentos diários onde os novos convertidos percebam e aprendam vendo na prática as ações resultantes de um compromisso com o Senhor Jesus.

O Espírito Santo capacita pessoas dentro da igreja para uma função especifica de ensino, ao conceder-lhes esse dom. Dentre tantos dons que o Espírito concede à igreja está o dom do ensino com o objetivo de conduzir os crentes no caminho da obediência. Embora a responsabilidade de ensinar tanto pela vida como pelas ações é de toda a igreja, algumas pessoas recebem de modo particular essa tarefa, como nos ensina o apóstolo Paulo em Efésios 4.11-12 “E ele mesmo concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros para pastores e mestres, com vistas ao aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu serviço, para a edificação do corpo de Cristo” (grifo nosso)

PASTORES: TAREFA DE ENSINAR

Calvino comentando o texto de Efésios diz que ensinar é, sem dúvida, uma responsabilidade de todos os pastores, todavia para preservar a boa doutrina requer uma habilidade para interpretar a Escritura e uma pessoa pode ser um mestre, sem, contudo estar qualificado para pregar. Por isso é preciso reconhecer que há pessoas na igreja que embora não tenham sido ordenadas para o ministério pastoral, tenham e exerçam com muita propriedade o dom do ensino.

A ênfase paulina sobre a responsabilidade pastoral de ensino é evidenciada por outros textos: “Ordena e ensina estas coisas” I Tm 4.11; “Ensina e recomenda estas coisas” I Tm 6.3; “o qual nós anunciamos, advertindo a todo homem e ensinando a todo homem em toda a sabedoria, a fim de que apresentemos todo homem perfeito em Cristo;” Cl 1.28; “É necessário, portanto, que o bispo seja apto para ensinar” I Tm 3.2; “Até à minha chegada, aplica-te à leitura, à exortação, ao ensino” I Tm 4.13; “o que da minha parte ouviste através de muitas testemunhas ensina a homens fiéis” II Tm 2.2 e assim por diante.

O trabalho pastoral não se restringe ao púlpito – que não deixa de ser também um lugar de ensino – mas estende-se a outras atividades, principalmente o foco em relacionamentos pessoais que assumem um caráter intencional e sistemático com objetivo de conduzir pessoas à maturidade. Há ensinamentos que são transmitidos pelo exemplo, pela vida, pelas posturas e não necessariamente por aquilo que falamos. Somente um ambiente de confiança e companheirismo permite este tipo de ensino. Alguém disse com muita propriedade que as pessoas não se importam com quanto você sabe até que elas percebam o quanto você se importa com elas. Relacionamentos confiáveis não são construídos da noite para o dia.

Uma finalidade bem específica dos dons listados em Efésios 4.11-12 é a preparação ou aperfeiçoamento dos crentes para os seus ministérios. Eugene Peterson na sua bela paráfrase “A Mensagem” traduz assim: “para treinar os seguidores, para que haja um trabalho de qualidade no corpo de Cristo, a igreja.” Isto nos mostra não apenas a natureza do trabalho pastoral, mas também o propósito e o alvo a ser alcançado. O termo aperfeiçoar significa também equipar, reparar, colocar em ordem algo que estava quebrado, distorcido. Interessante observar que esse mesmo verbo aperfeiçoar/consertar é usado no texto de Mc 1.19 quando os discípulos estavam consertando as redes preparando-as para o trabalho da pesca. Há outras referências mencionando o aperfeiçoamento do caráter cristão como I Co 1.10.

DISTORÇÕES NO MINISTÉRIO PASTORAL

Este propósito do trabalho pastoral tem sido facilmente esquecido ou negligenciado por uma série de fatores: desinformação do que seja o trabalho pastoral na sua essência; expectativas errôneas por parte da igreja; subordinação da agenda pastoral à injunções políticas; formação pastoral defectiva; modelos pastorais distorcidos e outros fatores.
Quando o pastor se preocupa em atender tão somente as demandas e reage apenas às circunstâncias ao invés de organizar uma agenda proativa, acaba “dançando conforme a música” e não cria um ambiente e circunstâncias. Ele fica à mercê dos acontecimentos, não assume o controle no sentido de apontar um rumo e sinalizar o direcionamento da igreja. A agenda pastoral tem que ser definida pela Palavra, não pela expectativa de pessoas. Equivocadamente pensa-se que servir as pessoas em seus interesses e expectativas é o mesmo que servir a Cristo. 
Espera-se, geralmente, que o pastor seja um empregado faz-tudo na igreja, uma espécie de pastor “bombril”. Por outro lado os pastores em busca de autorealização – como em qualquer outra atividade humana – acabam enveredando por atividades cujos resultados sejam mais concretos, palpáveis. Temos encontrado ao longo da caminhada pastores que se orgulham das realizações materiais tais como construção de templos, salas, reformas, aquisições de terrenos, etc. Tudo isto pode ser muito bom, instalações adequadas podem ser úteis e importantes para a vida da igreja, todavia isto não é o centro, nem pode ser a ocupação central do ministério pastoral. Outras pessoas podem e devem fazer isso sem nenhum prejuízo ao trabalho pastoral. O centro do ministério pastoral é a construção de vidas pelo ensino da Palavra.

A tarefa pastoral requer não apenas o dom do ensino, mas a preparação adequada, conforme nos lembra Paulo “o que ensina, esmere-se no fazê-lo” (Rm 12.7). Além disso, a maturidade é necessária. Não se concebe um líder imaturo conduzindo crentes à maturidade. Uma caixa d’água não impulsiona água além da sua própria altura. Muitos problemas na relação pastor-igreja devem-se à imaturidade. A formação teológica de qualidade é importante, mas infelizmente não pode ser considerada como o único requisito. Nossos concílios precisam atentar mais seriamente para esse aspecto.

COMO ENSINAR

O pastor ensina principalmente pelo exemplo. Como discípulo de Cristo ele leva pessoas ao compromisso com Cristo colocando em prática o que Jesus nos ensinou. Jesus pregou para multidões, mas ele investiu tempo e atenção ao grupo dos doze e de modo particular em três discípulos: Pedro, Tiago e João. Jesus adotou um método de ensino baseado em etapas que poderia ser exposto assim: ensinar o que fazer; explicar o porquê; mostrar como fazer; fazer juntos; permitir que eles fizessem; enviá-los a praticar o que tinham aprendido.

Esta metodologia de Jesus demanda tempo, convicção e compromisso. Um dos maiores inimigos do trabalho pastoral hoje tem sido o imediatismo e a impaciência. Em uma cultura que valoriza a velocidade, a celeridade, a paciência de caminhar juntos, aprender juntos, crescer juntos, sonhar juntos, semear e aguardar juntos os resultados que Deus concederá, não é uma virtude valorizada. Como bem disse Eugene Peterson. "Discipulado é uma tarefa que toma tempo e não pode ser apressada, mas também é um trabalho urgente que não pode ser adiado”. Retornando ao texto de Efésios 4.11-12, ali somos lembrados que o alvo do ensino é a maturidade, é conduzir pessoas à medida da estatura de Cristo. Paulo dirigindo-se aos Gálatas dizia sofrer dores de parto até Cristo ser formado em vós (Gl 4.19). Esta é uma tarefa enorme e que pode durar a vida inteira. Muitos, entretanto, ficam pelo meio do caminho cansados e desanimados, pulando de igreja em igreja e deixando esta tarefa inconclusa. Grande parte das dificuldades que enfrentamos com lideranças são reflexos da falta de ensino, de discipulado, de acompanhamento.

Esta é uma tarefa pastoral urgente e inadiável. Todavia podemos nos perguntar a exemplo de Paulo: “Quem é suficiente para estas coisas? “...pelo contrário, a nossa suficiência vem de Deus (II Co 2.16; 3.5). Que o Senhor da Igreja nos capacite para tão grande tarefa!

Rev. Áureo R. Oliveira

Evangelização no Mercado Pós-Moderno

Extraído e adaptado do livro Evangelização no Mercado Pós-Moderno, de Robson Ramos, publicado pela Editora Ultimato.

Um dos meus melhores amigos — que não se considera cristão — me disse que às vezes se surpreende pensando que, se Deus existe, não deve gostar da banalização que é feita do seu nome. Um conhecido, colunista da mais lida revista semanal do país, reclamou da superexposição do sagrado em nossa cultura. “Menos deus, por favor” foi o seu desabafo.1 É um alerta. Não é à toa que o segmento dos não-religiosos está entre os que mais cresceram na década de 90. Qualquer reflexão ou ação evangelizadora, transcultural ou não, deve levar em consideração as mudanças que estão acontecendo ao nosso redor e que afetam a todos nós, assim como as instituições, sejam elas eclesiásticas ou não, nas quais estamos envolvidos. Vivemos num mundo de extremas transformações, que afetam todos os aspectos da nossa existência. Temas como pós-modernidade e globalização podem não evocar sentimentos muito confortáveis. Mas não podemos ignorar os seus efeitos, se desejamos nos manter responsavelmente engajados no projeto de levar o evangelho até os confins da terra. A influência que este momento extraordinário exerce sobre o modo como vivemos, trabalhamos e comunicamos as Boas  Novas de Jesus Cristo representa um desafio singular para a Igreja. Mais do que isso, está reestruturando a vida daqueles que pretendemos alcançar com o Evangelho, assim como as instituições formadoras de opinião.


Neste breve artigo não podemos deixar de fazer alguns registros que sirvam de parâmetro para nossa reflexão sobre a evangelização. Partimos do pressuposto de que as forças da pós-modernidade e globalização, por assim dizer, estão presentes na vida política, tecnológica, cultural, econômica e religiosa; e essas forças afetam direta ou indiretamente sistemas políticos, tradições, valores, formas de pensar e agir, gostos — enfim, a vida da maior parte das pessoas. Essas forças afetam também as instituições, sejam elas governamentais ou não, privadas ou religiosas. Desse modo, no início deste novo milênio, a Igreja precisa repensar o seu papel e reavaliar as suas práticas. Esta sensação de fragilidade que experimentamos é também um reflexo da inadequação das instituições que, até o momento, serviram de referência. Precisamos reconstruí-las a partir do resgate de parâmetros encontrados nas Escrituras e na história da Igreja.

Quem é a pessoa que queremos impactar com as boas novas de Jesus Cristo, no início do terceiro milênio? Segundo um filósofo contemporâneo, “o homem moderno é o que experimenta a sensação do estranho, não tem certezas estabelecidas, apenas dúvidas”.2 A cada dia, somos levados a conviver com novas tecnologias. Vivemos como nômades, exilados do único lar que conhecíamos. Uma das características desta época é o não-pertencimento, representado pelos “sem-lar”, a exemplo do filho pródigo, que, após ter saído de casa, passou a viver “num lugar distante” (Lc 15.11-32).

A sociedade que adentra o terceiro milênio é cativa da visão pós-moderna que nada vê além da fragmentação e que, como um  barco sem rumo afirma a “dissolução da totalidade, do grande relato, da interpretação abrangente e histórica”. Como é a paisagem religiosa no início do terceiro milênio? Ao contrário do que foi apregoado pelos profetas da modernidade, as sociedades modernas não decretaram o fim da religião mas viram surgir uma recomposição do campo religioso. Longe do controle e tutela institucionais, abriram-se novos espaços para a multiplicação de formas originais de crença. Por um lado, a religião é relegada a um lugar secundário na sociedade. Por outro, cresce o interesse e a demanda por temas e práticas de caráter espiritual, nas formas mais variadas e diversas possíveis. Este processo — que acontece sem que possa ser controlado pelas instituições religiosas legitimadoras das crenças — é facilmente observado pela multiplicação de símbolos e discursos religiosos que formam esse sincretismo religioso que vemos por toda parte. Num contexto fértil como este, em que testemunhamos diariamente a emergência de formas inesperadas de sociabilidade religiosa, é preciso buscar e explorar novos rumos que permitam que ações evangelizadoras criem raízes e se concretizem de forma dinâmica.

Quaisquer esforços voltados para a Evangelização, seja numa conversa informal com alguém ou numa programação ou evento deve refletir uma atenção para esta realidade, ou seja, para o fato de que a maior parte das pessoas, especialmente aquelas com um grau maior de esclarecimento, não valoriza ou têm interesse em saber se existe uma Verdade Absoluta.  Essa geração não está procurando “a” verdade. Ela está em busca do que é genuíno e autêntico. Longe de querer prestar atenção em nosso discurso já trivializado e inócuo as pessoas apenas querem saber e ver se a experiência cristã, seja em termos individuais ou comunitários, é de fato real. As pessoas hoje em dia não querem saber de gente que fique lhes dizendo o que elas têm de acreditar ou aceitar como verdade. Aqueles que se apresentam de maneira arrogante, como detentores da verdade são vistos de forma suspeita. O envolvimento ou participação na comunidade (igreja) deve ser encorajado e visto como essencial no processo de decisão de alguém que esteja considerando a Fé cristã. A exposição pessoal e interação com grupos pequenos e eventos informais devem ser estimuladas. Assim, o processo de conversão de um indivíduo é mais influenciado pelas relações comunitárias do que por uma relação “pessoa-a-pessoa” (o “evangelizador” e o “evangelizado”). As pessoas precisam poder observar e experimentar o amor de Jesus mais do que receber informações sobre esse amor. Para isso é preciso haver autenticidade no que falamos ou fazemos. Nossos esforços nessa área devem priorizar a atuação de comunidades inclusivas, que recebam as pessoas e dar a elas a oportunidade de observar, do seu próprio jeito, a realidade da Fé cristã. Especialmente nos dias atuais a apresentação do Cristianismo não está nessas pirotecnias “Gospel” que vemos por toda parte, “Marchas para Jesus” ou programas de TV recheados de emotividade e clichês religiosos que não dizem nada. De fato, o que temos observado é um número crescente de pessoas, dentre elas muitos formadores de opinião, querendo distância de tudo e qualquer coisa que “cheire a coisa de Evangélico ou Gospel”.  

Há poucos dias, um dos jornais de maior circulação do país trouxe uma importante matéria sobre o processo de secularização da Europa. Dentre outras coisas o articulista chama atenção para o testemunho de um jovem pintor checo e cantor de um grupo de rock que costuma se apresentar em igrejas. Frustrado com o estado da igreja presente em seu país, ele diz: “Jesus transformou água em vinho, mas os cristãos o transformaram de novo em água.” Nossas atividades evangelizadoras só terão efeito realmente duradouro se estiverem associadas a uma comunidade acolhedora que alcança o necessitado, o aflito e também dá espaço para pessoas que estão buscando uma experiência espiritual.

Precisamos pensar seriamente sobre isso e fazer de nossas igrejas estruturas menos constrangedoras que permitam ao indivíduo, que esteja buscando e observando, permanecer sem se sentir pressionado pelo ambiente. Aqueles que se interessam pela evangelização devem prestar atenção ao cenário que se forma, no qual os atores são as ovelhas sem pastor que estão sendo “tatuadas pelas complexidades” dos dias em que vivemos. E, em dias como estes, devemos tomar todos os cuidados para que haja entre nós motivo ou razão para que aqueles que nos observam venham a desdenhar de nós e se distanciar dos caminhos de Deus.


1. MAINARDI, Diogo. Menos deus, por favor. Veja, São Paulo, 11 jun. 2003, p. 127.
2. BORNHEIM, Gerd. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 28 jul. 1995.
3. IANNI, Octavio. A sociedade global. Boletim do Programa de Estudos Pós-Graduados em Ciências da Religião (Pontifícia Universidade Católica), São Paulo, [ANO, Nº], p. 180-181.
4. Ian Buruma. Caderno ALIÁS, Jornal O Estado de São Paulo.